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terça-feira, 15 de maio de 2018

O Mágico Tura / Baloeiro de Coração e Alma

Se você perguntar quem é o português João Artur Gonçalves Vieira a resposta será: “não sei e nunca ouvi falar”. Mas, se você perguntar pelo TURA, a resposta será mais ou menos assim: “o gênio, o mestre, o melhor, o maior e um dos mais apaixonados baloeiros desse mundão de Deus”.
Tura nasceu em Portugal e em 14/01/1957 (com três anos) sua família veio morar no Brasil mais precisamente no bairro do Engenho Novo (Rio de Janeiro) onde permaneceu por vinte e sete anos.
O aprendiz do seu Aniceto
Essa paixão pelo balão começou logo cedo. Ainda criança, por volta dos oito anos, Tura tinha um vizinho por nome Aniceto que confeccionava balões. O então futuro baloeiro, ia pra casa do seu Aniceto e ali começou a dar os primeiro passos na arte de fazer balões.
Certa feita o garoto chamou a atenção de seu “professor” para um erro na confecção de um dos seus balões. Seu Aniceto confessou ter feito de propósito para testar se o seu aprendiz estava realmente atento e como prêmio lhe fora prometido que aquele balão seria solto por ele, o menino Tura. Ansioso, ainda teve que esperar por três semanas por causa do mau tempo até que num belo final de semana, Tura soltou o seu primeiro balão. Mas, naquele momento também reconhecia que era apenas um aprendiz e que ainda precisava se empenhar cada vez mais nessa arte, e lá foi ele, acertando aqui, errando ali, mas sempre avançando a caminho da evolução. Hoje, com muito orgulho, Tura afirma categoricamente: “eu nasci baloeiro”.
Carteira assinada aos 16 anos
Tura fez o primário, o ginásio e o científico. Começou a trabalhar de carteira assinada com 16 anos (como boy) numa indústria de armários embutidos; nessa empresa acabou se tornando chefe do departamento de pessoal. Mais tarde trabalhou no Unibanco por aproximadamente seis ou sete anos, saindo do banco, começou a vender bandeiras.
Tura lembra que na Copa do Mundo de 1970, em cada jogo da seleção brasileira ele soltava três balões: um antes do jogo, um no intervalo e outro no final e relembra: “nunca vi tantos balões como naquela época”.
Em 1977, entra para a Turma do Méier (fundada em 1960) e em 1978, por ocasião da Copa do Mundo na Argentina, Tura fez a sua primeira bandeira (media 15X15) com o logotipo da Copa do Mundo (Mundialito – um boneco chutando uma bola com a chibata na mão). Nessa época não era comum um balão subir carregando uma bandeira.
Uma bandeira bem maior subiu num balão solto pela Turma da Bucha, media 50X75, esse fato ocorreu em 29/06/1986.
Ainda em 1986, conheceu o Cláudio, da Turma da Alvarenga (SP), passou a confeccionar bandeiras que ficaram bastante conhecidas no meio dos baloeiros e, claro, chamando à atenção de outras turmas do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, etc.
Um dos maiores golpes na vida de Tura aconteceu em 1998, com a criminalização da soltura de balões. O nosso baloeiro ficou bastante abalado, era flagrante o seu abatimento, e chegou a entrar num acordo com a sua esposa (Mônica) que só voltaria a confeccionar um balão quando tudo fosse regulamentado.
“Os Balões Piratas do Rio”

Muito bem, no ano de 2000, apareceu em sua vida um Frances (Etienne Chambolle), responsável pela divulgação de um documentário que se tornou bastante conhecido no meio dos baloeiros – “Os Balões Piratas do Rio” e por causa desse documentário, Tura, desde 2002, vem sendo convidado para soltar balões num dos maiores eventos esportivos da Europa, a Copa Ícaro que a cada evento atrai um público de aproximadamente 100 mil pessoas oriundas de todas as partes do mundo.
O “gênio” (como também é conhecido), afirma que nesses dezesseis anos já soltou mais de 22 mil balões e que esse evento é realizado próximo as matas, morros, casas.
O baloeiro Tura é o único convidado (da Copa Ícaro) a receber três troféus de participação.
Tura vê com bons olhos as homenagens, mas é contra as competições de balões, e afirma que “o baloeiro tem que fazer balão para se superar e não para ganhar troféus”.
Para 2018, já está com a sua agenda cheia, se não vejamos: em maio, viaja para El Salvador; em julho participará de um evento no México; em agosto evento em Açores; em setembro de volta a Copa Ícaro e ainda em 2018, grandes possibilidades do “Gênio Tura” soltar balões na China. Em outras palavras, o trabalho não para!
Tura é casado, tem um filho e duas netas
Atrás de um grande baloeiro tem sempre uma grande mulher e com o Tura não poderia ser diferente e ele a todo instante faz questão de destacar o importantíssimo apoio de sua esposa (Mônica) e afirma sempre de maneira muito apaixonada que não faz nada sem ela. Juntos formam uma dupla que podemos traduzir como a expressão máxima da seriedade, competência, conhecimento de causa e fundamentalmente muito amor, um pelo outro e ambos pelos balões. (Huayrãn Ribeiro) 

segunda-feira, 16 de abril de 2018